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quarta-feira, 3 de julho de 2013

O BRASIL NO DIVÃ







Vivemos hoje uma doença interna que desestrutura e desagrega o aparelho psíquico brasileiro. O Brasil

Nascemos de uma necessidade de nossos pais, os quais, diante de uma situação interna complicada, terras mal aproveitadas e não produtivas na agricultura, crise de desvalorização da moeda e escassez de metais preciosos, precisavam buscar novas alternativas para manterem-se no status de Estado Nacional forte.

Nossa gestação dura cerca de trinta anos e nos desenvolvemos no útero de uma mãe, a coroa portuguesa, perversa e exploradora. É um desenvolvimento ao avesso, no qual não nidamos, mas em nós, a mãe se nidou através do extrativismo vegetal do pau Brasil e exploração da mão de obra indígena baseada no escambo.

Gratificamos nossos pais com o lucro de nossas riquezas, durante a gestação, e desde a fecundação, sentimo-nos como filho rejeitado, rapidamente trocado pela exploração de outros filhos, dos quais é explorado especiarias asiáticas, ouro, marfim, além do escravo negro.

O pré-colonialismo é a gestação da angústia, onde nós, o feto, vivenciamos precocemente o medo do abandono e a fragilização imposta pelos abusos parentais.

Nosso nascimento ocorre pela necessidade de ter e criar um filho forte, capaz de sustentar e prover os pais nos seus momentos de dificuldades.

Desde a tenra infância, já temos a noção de que não somos um filho amado, apenas um filho útil. Como nas etapas iniciais da vida, a simbolização ainda não evoluiu e a incorporação necessita de um elemento concreto, fomos submetidos a uma incorporação, também às avessas, onde associamos descaso e exploração a afeto, importância e valorização. Tal aprendizado marcará o curso do nosso desenvolvimento, se repetindo inúmeras vezes. 




Talvez, isto explique a razão de votarmos em políticos corruptos e que nada fazem por seus representados.

Ao olharmos as nossas primeiras relações objetais nos daremos conta de que tudo que aprendemos com nossos pais envolve a exploração, corrupção e a posse desmedida dos pertences alheios, gerando desde então, um profundo sentimento de que existimos para sermos desvalorizados. Explica-se assim, a razão de continuarmos aquém do desenvolvimento, subdesenvolvidos, apesar de tantos recursos e riquezas.

E assim vivemos uma infância permeada pelo abuso, pela constante exploração e obediência cega, gerando uma significativa redução na auto-estima e reprimindo tudo aquilo que nos chama a nossa identidade.
Segundo Freud, nosso id é o depositário da nossa história, onde todo desejo se origina, onde o imaginário é a única realidade possível, atemporal e inconsciente na sua totalidade, detentor da produção de imagens e desconhece a verbalização.
Criativo como o id é o povo de uma nação, um povo que, independente de suas gerações e do tempo, traz no seu comportamento e postura a história pregressa, é a força instintiva que clama por satisfação de suas necessidades e desejos aos governantes.

Só é capaz de verbalizar ativamente quando representado por seus eleitos.

Analogicamente, o povo é o id de uma nação, é a nação em si, é o primitivo que primeiro surge, antes de qualquer organização social e hierárquica.


Do id origina-se o ego, assim como do povo, nascem os governantes, os quais deveriam atender da melhor forma possível, os desejos do povo, adequando-os às leis e a política do país. Aos governantes é atribuído a motilidade de um município, de um estado, de um país; o transitar de níveis inferiores à superiores; são a representação e a síntese de um povo.

Ao Ego Freudiano é atribuída a satisfação dos desejos do id, adequando-os a realidade; detentor da capacidade de síntese e da motilidade, sede das angústias e em parte, inconsciente, repressor e defensor da estrutura psíquica.

Vivemos ainda sob a égide de um superego ameaçador, que nos organiza segundo as leis e poderes do judiciário.

O equilíbrio e saúde psíquica é o resultado de uma interação adequada do id, ego e superego, da mesma forma que a saúde de uma nação é o resultado de uma interação adequada do povo, seus representantes e suas leis, dentro de uma realidade global.

Quando não há a suposta interação adequada das instâncias psíquicas, adoecemos neurotizamos, psicotizamos ou nos exterminamos na delinqüência.

O Brasil vai para o divã e sua análise é permeada de resistências, projeções, negações e toda sorte de mecanismos de defesas possíveis.


O Brasil está doente, precisa reler a sua história para elaborar. Ao interpretarmos sua destrutividade, possibilitamos clarificar o que hoje é obscuro.

Diante de uma infância conturbada, nosso id é formado por duplas mensagens, ambíguo. Nossos pais nos ensinaram os ofícios do dominado, mas exerciam o papel de dominadores; incutiram-nos seus valores e tradições e reprimiram qualquer possibilidade de expressão da nossa identidade. Sob rígidos valores, aprendemos a servir nosso pai e nossa mãe; o imperador e a coroa portuguesa que valorizavam nossos atributos de acordo com suas conveniências.

A força do nosso reprimido foi enfraquecida pelos constantes impostos devidos à coroa, pela posse desmedida e ilícita de nossas riquezas.

A possibilidade de independência nasce das constantes frustrações e limitações impostas ao nosso id. Assim começam os vestígios de formação do Ego, devidamente consolidado às margens do riacho do Ipiranga e do rio Jenipapo.

Nosso ego tem nome: república, e já nasce desestruturado oriundo de um id enfraquecido.

E assim, o Brasil procura o divã e sua queixa é a angústia e desconforto consigo mesmo. Já não consegue esconder e superar sozinho. Não consegue vislumbrar causas para seus sintomas.

Filho de pais abusivos, desde a mais tenra infância foi submetido à violência física e psíquica. Tiraram do seu seio, suas riquezas; ouro e pau Brasil para o uso da mãe, como forma explícita de violência física à alguém que não pode se defender. Sua auto-estima foi construída no papel de dominado, subjugado. Sua única gratificação era a culpa.


As crianças abusadas passam a acreditar que um pai abusivo é melhor do que nenhum e buscarão repetir esse padrão nos relacionamentos futuros. Entre a culpa e auto-estima baixa, o Brasil sempre construiu parcerias com países fortes que supostamente alavancariam o seu desenvolvimento, mas que, como seus pais, estavam sempre prontos a submetê-lo, a dominá-lo, a exemplo da Amazônia, onde muito já não nos pertence. O uso dos seus próprios recursos lhe foi reprimido e tirado mais uma vez.

No divã, o discurso do Brasil delata a sua identidade frágil. Pertence a América, é parte de uma América, mas seu povo não é Americano. Apossaram até mesmo do seu nome de origem: Brasil da América, Brasil Americano.

Cresceu permitindo todo tipo de abuso, categorizado como subdesenvolvido. Sob promessas de futuro e emprego, suas mulheres são usadas como objetos sexuais nos domínios dos “parceiros” desenvolvidos.

Mas, hoje no divã, a patologia não reside na construção de relações objetais, mas na dinâmica interna que o angustia.

Um id reprimido representado por seu povo, onde o imaginário recria incessantemente a fantasia de liberdade, de dignidade e de respeito.

Um Ego cindido, na figura do presidente Lula, da presidente Dilma cego à sua própria fragilidade, escondendo sua falta de controle e de governo, cujo principal mecanismo de defesa é a negação e o isolamento; nega a corrupção na sua entranha, nega a sordidez do poder, nega o poder do id ao negar o desejo do povo.
 
O povo esta pedindo reforma, reforma na saúde, reforma na educação, reforma na segurança, no transporte, nas rodovias, nos impostos abusivos, em resposta o governa manda uma proposta de reforma política com propostas que elenca somente os interesses do governo e o povo? E as manifestações? Nada valeu, só resta vandalismo e morte. Cadê os anseios do povo? Volto a repetir o governo cego à sua própria fragilidade, escondendo sua falta de controle e de governo, cujo principal mecanismo de defesa é a negação e o isolamento; nega a corrupção na sua entranha, nega a sordidez do poder, nega o poder do id ao negar o desejo do povo.   

 
Vive pregando a democracia num território de voto eleitoral obrigatório. O voto é a sua projeção. Alguém escolheu! Alguém votou! Alguém quis assim! O problema não sou eu!

Na sua angústia neurótica, o ego tenta fragilizar o id para que este não o invada.

Criam impostos, cria barreiras, cria formas de tirar o poder do povo, para que este não tenha força e, portanto não o vença.

Se não houvesse a consciência do presidente, se o Ego desconhecesse aquilo que não quer reconhecer e integrar, certamente o diagnóstico seria um Transtorno de Personalidade Múltipla, revelado pela existência de um alter ego que discursa nas tribunas dos parceiros com (pseudo?) confiança e (pseudo?) poder, mas que esconde um lado oposto permeado pela impotência de controlar seus ministros e seu partido político.
 


Do Superego: a lei e o judiciário, pouco há a dizer, apenas revela agora, sem máscaras, o que lhe foi amplamente introjetado pela relação objetal primária com os pais. A falsa contenção superegóica cedeu lugar para a injustiça e desonestidade verdadeira, para a impunidade que privilegia a si próprio e os seus comparsas.

Sem máscaras, abriu caminho para a delinquência que revela o caráter frágil da homeostase psíquica do Brasil.

É preciso muito tempo de análise para promover a auto-estima e crescimento do Brasil. Mais do que isto: o Brasil precisa querer curar-se.

O FILÓSOFO

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