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quinta-feira, 30 de julho de 2015

A MULTIPLICAÇÃO DOS EVANGÉLICOS






Pesquisa aponta êxodo do catolicismo para outras igrejas cristãs. Especialista vê nova Reforma Protestante

A multiplicação de igrejas evangélicas, que vêm arrebatando fiéis de todas as religiões, principalmente da católica, é o reflexo de uma segunda Reforma Protestante, analisa o antropólogo PETER HENRY FRY, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. Com base em pesquisa do Instituto Gerp, divulgada com exclusividade pelo Jornal do Brasil, o especialista compara a evasão do catolicismo ao movimento que dividiu o cristianismo na Europa do século 16, num processo de adaptação à sociedade capitalista. Segundo a pesquisa Gerp/JB, 20% dos cariocas trocaram de religião recentemente. O catolicismo foi o credo que mais perdeu fiéis (56% dos que se converteram), e as igrejas cristãs evangélicas, como a Assembléia de Deus, a Universal do Reino de Deus e a Pentecostal, foram as que mais acolheram novos seguidores. Outros dados reafirmam a tendência: dos evangélicos do Rio, quase metade veio de outra crença. A maior parte (62%) era católica. Ainda assim, com o peso de religião ''quase oficial'', o catolicismo mantém a adesão de 55% dos moradores do Rio.

Um discurso distante dos anseios da sociedade atual e uma abordagem voltada para valores coletivos - fraternidade, cooperação, solidariedade - seriam os fatores responsáveis pela debandada da igreja católica, acredita Peter Fry.

- A ideologia da igreja católica é coletivista, enquanto as igrejas evangélicas enfatizam o indivíduo - analisa.

Com uma abordagem individual, a igreja evangélica estaria mais conectada à sociedade de consumo. Templos semelhantes a shopping centers recebem seguidores atraídos por líderes populares, que usam linguagem próxima à realidade dos fiéis, sugerindo que a igreja é ''do povo''.

- Está havendo uma pequena revolução, uma Reforma, como no século 16 - diz o antropólogo inglês que já morou em diversos países, onde estudou os mais variados credos.

O discurso evangélico prega a capacidade do indivíduo, junto com Deus, de superar problemas, explica Peter Fry.

- A idéia é dizer:

Os evangélicos falam do que ocorreu na Europa há 500 anos:

Do sujeito autônomo, com o destino em suas mãos. O discurso é condizente com a sociedade de consumo.

Presidente do Instituto Gerp, Gabriel Pazos aponta o abandono pelo catolicismo de recursos de comunicação como um dos fatores que o fizeram perder fiéis. A igreja católica, explica Pazos, foi pioneira ao utilizar ferramentas de marketing. O primeiro departamento de pesquisa foi o confessionário, analisa. O que o padre ouvia, apesar de não poder ser revelado, dava-lhe informações sobre o que pensava a comunidade e servia como base para os sermões. O primeiro cartaz foram as imagens de santos; o primeiro logotipo, a cruz; o primeiro outdoor: a disposição da cruz no alto da igreja. A igreja católica, acrescenta, foi a primeira entidade a ter uma forma de comunicação de massa não verbal: o sino.

- As comunidades foram crescendo, e esses meios deixaram de ser eficazes. Ao mesmo tempo, a igreja católica não se utilizou da mídia impressa, do rádio nem da televisão. Só o Padre Marcelo Rossi (que faz megashows de músicas e já lançou DVD) - lembra o presidente do Gerp.

O ''fenômeno Rossi'', lembra Pazos, é recente.

- As igrejas protestantes, nos Estados Unidos por exemplo, há mais de 30 já usam a TV para convocar seus fiéis. No Brasil, o rádio e a TV fizeram as igrejas evangélicas explodirem.

- A igreja católica, ao longo dos anos foi-se acomodando na maneira de se comunicar, deixou de exigir a presença dos fiéis na igreja - diz.

Para ele, o surgimento da expressão ''católico praticante'' é sintomático.

- Católico é católico. A igreja foi-se descuidando, admitindo que as pessoas se vissem protegidas mesmo não indo à igreja - analisa.

Peter Fry tem outra explicação:

- A igreja católica, por mais que tenha tentado ser popular, sempre foi oficial.

Embora o Brasil seja uma república laica, a igreja católica nunca deixou de ser uma espécie de religião oficial, dominada por pessoas letradas. Na igreja evangélica, as lideranças são populares. A igreja é vista como algo do povo. Os seguidores investem nela porque acham que terão retorno, acreditam que estão produzindo o luxo. Não investem na igreja católica porque acham que ela não precisa.

Por um motivo ou outro, enquanto perto da metade dos evangélicos, umbandistas e espíritas diz obedecer integralmente a todos os preceitos dessas religiões, entre católicos, só 20% admitem obediência total aos ensinamentos da igreja. A maioria (48%) procura segui-los, sem muita rigidez.

A Multiplicação dos Evangélicos
 http://jbonline.terra.com.br/



POSTADO PELO:
FILÓSOFO

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