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terça-feira, 21 de junho de 2016

O PENTATEUCO



                   


                   NOME E DIVISÕES DO PENTATEUCO

Pentateuco é o nome pelo qual, tradicionalmente, se conhece o grupo dos cinco primeiros livros do Antigo Testamento. Trata-se de uma palavra de origem grega que pode ser traduzida por “cinco estojos”, fazendo referência aos estojos (caixas ou vasilhas) onde, na Antiguidade, se guardavam e protegiam da deterioração os rolos de papiro ou de pergaminho utilizados como material de escrita. Os judeus designam, por sua vez, esses livros com o título genérico de Torah, termo hebraico que, apesar de ter sido traduzido de forma habitual por “LEI”, na realidade, tem um significado mais amplo. Torah, de fato, inclui o conceito deLEI” e, até com maior propriedade, os de “guiar”, “dirigir”, “instruir” ou “ensinar” (Deuteronômio 31: 9).

O Pentateuco, ainda que se apresente dividido nos referidos cinco primeiros livros da Bíblia, constitui, na realidade, uma unidade essencial. A divisão corresponde a uma época já remota:

Encontra-se na tradução grega do Antigo Testamento, a chamada Septuaginta ou Versão dos Setenta, que data do séc. 3º a.C.. A causa da separação dos livros foi a dificuldade de dispor o texto completo de todos eles em um único rolo, o que seria impraticável por causa do volume excessivo.

Os nomes de origem grega adotados pela Igreja cristã greco-latina como títulos desses cinco livros são os mesmos com que foram designados na Septuaginta. Correspondem respectivamente ao conteúdo de cada um dos textos e consideram cada caso ao destacar um determinado fato ou assunto; assim, Gênesis significa “origem”; Êxodo,saída”; Levítico,relativo aos levitas”; Números,conta” ou “censo”; Deuteronômio,segunda Lei”.

Quanto à tradição hebraica, limita-se, em geral, à norma de intitular os livros com alguma das suas palavras iniciais:

Ao primeiro chama de Bereshit (no princípio); ao segundo, Shemoth (nomes); ao terceiro, Wayiqrá (e ele chamou); ao quarto, Bemidbar (no deserto) e, ao quinto, Debarim (palavras).

                   O PENTATEUCO E A HISTÓRIA


Característica essencial do Pentateuco (ou Torah) é a alternância de seções narrativas com outras dedicadas a instruir O POVO de Israel e a regulamentar a sua conduta, tanto na ordem ética pessoal e social como, muito especialmente, na religiosa.

Em primeira parte, que abarca todo o Gênesis e até o ca. 19 de Êxodo, predomina o gênero narrativo.

Nessa seção, os relatos se enlaçam ons aos outros somente interrompidos aqui e ali por algumas passagem de caráter normativo (Gênesis 9: 6; Gênesis 17: 9 - 14; Êxodo 12: 1 - 20). De Êxodo 20 em diante prevalecem os textos destinados a estabelecer as normas e disposições nas quais DEUS revela o que quer e espera do SEU POVO. Dessa maneira, desde o impressionante pano de fundo de uma epopeia que vai da CRIAÇÃO do mundo à morte de MOISÉS (Deuteronômio 34: 12), o Pentateuco mostra-se como o depósito da vontade de DEUS manifestada na forma de ensinamentos, Mandamentos e LEIS, cujo objetivo primordial é configurar UM POVO santo, que seja portador fiel perante o resto da humanidade da oferta divina de salvação universal.

                   FORMAÇÃO DO PENTATEUCO


Uma obra complexa, extensa e de grande valor religioso e cultural como o Pentateuco manifesta uma série de particularidades estilísticas, literárias e temáticas que se deve levar em consideração ao se estudar o processo da sua formação.

Em primeiro lugar, há certos textos bíblicos que revelam a existência de fontes anteriores ao próprio Pentateuco, como, p. ex., o chamado Livro das Guerras do Senhor, expressamente citado em Números 21: 14.

Em segundo lugar, achamo-nos diante de uma obra literária rica em conteúdo e complexa em composição, que frequentemente deixa perceber o eco de diversas etapas e distintos narradores. Assim ocorre com as variantes registradas nos dois textos do Decálogo (Êxodo 20: 1 - 17; Deuteronômio 5: 1 - 21); ou com as quatro apresentações do catálogo de grandes festas religiosas israelitas (Leis Cerimoniais) - (Êxodo 23; Êxodo 34; Leviticos 23; Deuteronômio 16); ou com certas histórias, como a da despedida de AGAR e ISMAEL (Gênesis 16; Gênesis 21: 8 - 21) ou com o ocultamento da condição de esposa nos casos de SARA e REBECA (Gênesis 12: 10 - 20; Gênesis 20: 1  - 18; Gênesis 26: 6 - 14). Cada uma dessas narrações oferece detalhes próprios, que a singularizam e a fazem aparecer como relato original e não como mera repetição de um texto paralelo.

Também com respeito ao vocabulário e estilo observam-se, no Pentateuco, numerosos matizes diferentes. Assim, p. ex., em Gênesis, que começa com uma dupla apresentação do relato da CRIAÇÃO (Gênesis 1: 1Gênesis 3: 24):
Enquanto que na primeira o CRIADOR é chamado de ELOHIM (forma hebraica usual para designar DEUS), na segunda é chamado de YHWH ELOHIM, expressão traduzida por “Senhor DEUS” na versão de JOÃO FERREIRA DE ALMEIDA.
 

 
A partir desses relatos e até o momento em que DEUS se revela a MOISÉS no monte Horebe (Êxodo 3: 1 - 15), a alternância dos nomes divinos mantém-se com relativa uniformidade.

Algumas passagens do Pentateuco caracterizam-se pelo seu frescor e espontaneidade (Gênesis 18: 1 - 15); outras, como acontece em Levítico, recorrem a uma linguagem jurídica de grande precisão, para tratar de temas legais ou relativos à pratica do culto de Israel; e ainda há outras (como Deuteronômio) que introduzem cálidos acentos, mesmo ao proclamar A LEI e ao exortar O POVO a obedecer-lhe em devida resposta ao amor de DEUS.

A análise dos indícios mencionados revela que o Pentateuco é o resultado de um processo lento e muito complexo, em cuja origem descobre-se a figura de MOISÉS, o grande libertador e legislador que, com a sua personalidade, marcou o espírito e a história DO POVO de Israel; um processo que se encerra com a coleção formada pelos cinco primeiros livros da Bíblia.

Na formação do Pentateuco há um importante trabalho inspirado, que compila, ordena e redige narrações, séries genealógicas e conjuntos de leis que, durante séculos, haviam sido transmitidas oralmente de uma geração para outra. Nele está contida a herança espiritual que MOISÉS legou AO POVO de Israel, uma herança viva, fielmente transmitida e enriquecida com o passar dos séculos.

Os principais temas e as seções correspondentes do Pentateuco podem ser analisados segundo o esquema seguinte:

1. Desde a CRIAÇÃO do mundo até a genealogia de ABRAÃO (Gênesis 1 — 11).

2. A história dos Patriarcas (Gênesis 12 — 50).

3. A saída do Egito (Êxodo 1 — 15).

4. Desde o Egito até o Sinai (Êxodo 16 — 18).

5. A revelação do Senhor no Sinai (Êxodo 19Números 10).

6. Desde o Sinai até Moabe (Números 10 — 36).

7. O livro de Deuteronômio (Deuteronômio 1 — 34).


O FILÓSOFO,
POETA,
ESCRITOR,
ASTRO FÍSICO ESTELAR,
Dr. EM TEOLOGIA,
ARBITRO DE DIREITO,
E
JUÍZ DE PAZ

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